... abriu o armário em busca daquele vestido preto, sensual, e que tão bem lhe acentava. Telefonou para a amiga de longa data, para lhe contar o que se tinha passado, mas não as suas ideias de vingança. Sabia que se contasse, a amiga ia fazer de tudo para tentar demovê-la com toda a certeza. Aceitou jantar com a amiga, para conversarem, para poder desabafar e aliviar o que sentia, e conseguir levar os seus intentos em diante, mas sem revelar nunca os seu planos. Necessitava mais que nunca, estar em paz com as suas ideias, para poder ser aquilo que tinha em mente, para poder jogar e controlar o jogo à sua vontade. Deu consigo a pensar quem iria ser o seu primeiro jogador, e quanto tempo levaria até que aparecesse quem quisesse arriscar jogar com ela. Saiu de casa da amiga, bem tarde, as conversas de ambas terminavam sempre muito para além do jantar. Tomou um longo duche e foi ver como estava a situação no site. Estremeceu, quando começou a ver as mensagens que eram em maior número que o esperado. No entanto não passavam de meras mensagens, e alguns comentários ás suas fotos. Deitou-se, ainda tinha que ir trabalhar, a sua vingança não passava por deixar de trabalhar, pelo menos até ver onde conseguia chegar...
Não despediu o despertador, tudo não passou de uma ameaça, continuava a ter de acordar com ele quer quisesse ou não. Espreguiçou-se ao primeiro toque e saltou da cama de imediato, tomou um duche para acordar e bebeu um copo de leite, vestiu umas jeans, uma t-shirt sensual e apelativa que guardava e saiu para o trabalho. Tinha acabado de sair do perímetro da cidade, quando toca o seu novo telemóvel. Gelou por completo, por segundos ficou sem reacção, quase bateu no carro à sua frente. De imediato se recompôs, ligou o auricular no aparelho e atendeu a chamada. "_ Bom dia, miss Eva?" usou a voz mais sensual que conseguiu: "_ Sim, sou eu!"
" Chamo-me F. vi o seu site, gostei muito, poderíamos conversar?" Encostou o carro e respondeu que sim... sem deixar de pensar, se iria conseguir jogar o jogo... do outro lado do telefone parecia-lhe estar um homem com uma voz muito quente, sensual, alguém que parecia ser um charme. Dizia ser empresário representante de uma griffe de alta costura, solteiro, na casa dos quarenta anos. Viajava com frequência, necessitava de alguém que o acompanhasse para um jantar de negócios, que poderia prolongar-se... Após perceber a proposta, que lhe estava a ser feita, marcou o encontro para as 19 horas, no bar do hotel onde seria o jantar. Desligou o telefone, e sentiu-se desfalecer, até onde iria aquela loucura? Seguiu para o emprego, nervosa como nunca, mas tinha até às 19 horas para ficar calma... muito calma...
(continua..., sim ainda não é desta... eu também estou nervosa com esta escrita...)
O nome desta gaita, não interessa para nada. Interessa apenas aquilo que aqui for postando, dia a dia, ou á noite, tanto faz...Como só tenho um neurónio disponivel, é muito certo que saia asneira de vez em quando, ou quase sempre...
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
O relógio (2ª parte)
... o despertador tocou na hora que tinham acordado. Raios, protestou ela, mais um acordo que tinha de quebrar, que se lixasse o despertador e o acordo de ambos, ia mandá-lo para o desemprego, deu-lhe uma pancada e calou-o, voltou-se para o outro lado e voltou a adormecer. Pela primeira vez faltou ao emprego, não se importou com o facto, ia arranjar uma desculpa qualquer, era a primeira vez e daí não vinha mal à empresa, por um dia os outros que resolvessem os problemas que eles mesmos criavam. Acordou por horas de almoço, ainda pior do que quando se havia deitado, não podia dormir muito, e tinha dormido cerca de doze horas, o que por si só era motivo para acordar com uma birra descomunal, e juntando aos factos anteriores estava em ponto pólvora. Tomou um café, que era a única droga que conhecia até então. Ao pensamento afloraram todos os motivos que a faziam estar a sentir-se tão revoltada com a vida, e os propósitos a que se tinha decidido dedicar. Ligou o computador, e abriu o site que estava a criar, para as afinações finais. A coisa estava a tomar jeito, as fotos estavam divinas e o texto apelativo, começou a sentir um nervoso miudinho... ia arriscar muito com a publicação do site, e propunha-se a algo que sempre abominara, mas a sede de vingança de quem a magoara, tolhera-lhe e discernimento, e achava que assim se ia vingar e virar o jogo para o seu lado. O seu lado inocente, ainda que não percebesse, continuava lá. Carregou os ficheiros, fez publicar e... já estava, só restava esperar. Telefonou para a empresa, dizendo que estava com uma enorme enxaqueca, com febre, e mal disposta, com a voz de quem está mesmo mal, e assim conseguiu que lhe dessem o dia. Saiu para comer qualquer coisa, não lhe apetecia meter-se na cozinha, e para comprar outro telemóvel para o cartão que tinha guardado e nunca tinha sido usado, e que agora iria ser uma ferramenta de trabalho... trabalho? pensou, ela, não, era diversão, ou não era esse o seu plano, divertir-se em grande estilo, e ainda ganhar dinheiro com isso. Depois de comer um malfadado hamburguer que nem lhe soube a nada, lá comprou um telemóvel ultimo modelo, e rumou a uma sex-shop...
(continua)
(continua)
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
O relógio
Ela olhou para o relógio pela centésima vez naquele dia. Não, os ponteiros não se cruzavam na dança do amor, como antes. Sentiu-se completamente sem forças. Sentiu como se o mundo lhe tivesse fugido debaixo dos pés. Nunca tinha dado importância ao facto de olhar para o relógio e os ponteiros estarem unidos como um só, tal como dois amantes em pleno acto de amor, até que ao tempo em que estiveram juntos, e ele lhe confessou que tinha saudades dela, quando não estavam juntos, que ela não lhe saía do pensamento. Desde essa altura, que sorria sempre que olhava para o relógio, porque por ironia os ponteiros na sua dança regular estavam em posição de missionário, como ela dizia. De um dia para o outro tudo mudou, os ponteiros deixaram de viver em união, em comunhão de sentidos, de cada vez que ela olhava para o relógio. Desanimou, e o mundo ruiu, quando percebeu que era verdade que o pensamento dele, já não era ocupado por ela, que outra havia entrado e ocupado o lugar que era seu até então. Perceber nas entrelinhas, nas palavras escondidas dele, fê-la sentir-se miserável, usada. A raiva tomou posse dela naquele momento. Não podia ser possível, tudo ao mesmo tempo a desabar na sua vida, e a única coisa que a mantinha de sorriso no rosto, esfumava-se também. Apetecia dizer-lhe as coisa mais cruéis que o pensamento dela lhe debitava à velocidade de um raio, mas conteve-se, tinha noção que as coisa ditas no calor do momento podem ter proporções piores que um furacão, embora fosse isso que lhe apetecia provocar naquela hora. Odiou o relógio tanto como começava a odiá-lo naquele momento, como podia ele fazer-lhe o que tanto criticava que outros fizessem, depois de tudo o que viveram, depois de tudo o que lhe tinha dito... Percebeu que com tudo o que lhe estava a acontecer, tinha perdido toda a ingenuidade que a caracterizava... não era mais a mesma... a revolta, a raiva que sentia, tomaram conta dela naquele momento, e na sua cabeça tudo se descontrolou, desapertou o relógio do pulso e jogou-o com raiva no caixote do lixo, prometendo a si mesma nunca mais deixar que alguém voltasse a fazer-lhe o mesmo. Jurou que daquele dia em diante os homens iriam ser um jogo em suas mãos, e não seria ela a ser usada...
Pegou nas fotos mais sensuais que tinha, e lançou mãos ao seu novo projecto...
(continua...)
Pegou nas fotos mais sensuais que tinha, e lançou mãos ao seu novo projecto...
(continua...)
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