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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Gaiola


Estou farta de ser rato nesta gaiola! Os gatos não param de rondar o dia todo, à espera que nos encostemos às grades, para nos deitarem a unha! Se nos descuidamos e deixamos só um milímetro de pele que seja encostado às grandes, pimba, uma cardada certeira. Que culpa, temos nós dentro da gaiola, que os gatos e os cães andem à bulha por merdas sem importância? Os cães, batem nos gatos, por nada, os gatos vingam-se nos ratos que estão dentro da gaiola (nós), sem culpa de nada. Ou é porque um e-mail seguiu sem assunto (mas o ficheiro anexo tem lá nome), ou porque falta um 0 à esquerda num ficheiro, ou é porque a data está em formato x, mas que cena. Preocupam-se com coisas de nada. Fazem queixa dos cães, mas levam o tempo a lamber-lhes a botas, depois levam dentada que até fervem. No meio de tudo isto, nós os ratos, não podemos sequer passar perto das grades, quanto mais encostar. Todos os dias mudam as regras definidas pelos cães, e estes não gostam, mas quem leva a paga somos nós, os ratos, que temos de andar com os gatos e os cães debaixo de olho, mas de nada vale, porque quando cães e gatos se zangam, é nos ratos que se vingam.


(isto está em sentido figurado, mas é o que se passa no meu local de trabalho, entre nós no escritório, as nossas chefias, e o cliente)

sábado, 16 de junho de 2007

Um pouco de uma história por concluir...

"_ Menina, estás com cara de parva porquê?
Joana encavacou:
_ Eu? Cá agora, estou com a minha cara de sempre, que ideia a tua!
_ Se eu não te conhecesse até podia acreditar, mas até estás a falar com voz tremida, vá lá conta-me, porquê esse sorriso parvo estampado na tua cara?
Joana mais uma vez nega:
_ È a minha cara já te disse, além disso não vamos entrar em considerações sobre os meus sorrisos, pois não? _atalhou Joana tentando disfarçar e desviar do pensamento a cara que tinha visto há pouco há porta do vizinho e que sem que se apercebesse a tinha feito ficar com cara de parva, a pensar em como este era bonito, quem seria?
_ Joana, terra chama Joana. _ouve de repente a voz de Teresa a chamá-la_
_ Então não é nada e estou para aqui a falar para o boneco, bonito serviço...
_ Bom, eu conto. Não viste nada de anormal à porta do meu vizinho?
_ Não, o que foi?
_ Não? Deves estar a ficar mal dos olhos. Eu vi e não foi pouco...
_ Afinal o que viste tu de estranho?
_ Era, era estranho, eu nunca o tinha visto.
_ Caramba, agora ainda fiquei a perceber menos...
_ Não viste aquele borracho que estava à porta quando te ajudei a levantar? Caramba, o tombo deve ter causado alguma lesão nos teus olhos.
_ Não vi, e que queres tu fazer? Não estava a olhar para quem saísse da casa do teu vizinho, afinal só lá moram os mesmos de sempre, o castiço e a mulher.
_ Pois, mas eles hoje têm com eles um borracho de fazer o trânsito parar.
_ E qual é o problema? Provavelmente é algum vendedor de enciclopédias, daqueles muito chatos que só descolam quando conseguem mesmo vender a dita, mesmo que seja para ficar nas prateleiras a ganhar pó.
_ Bom, a mim, ele até vendia uma enciclopédia roída dos ratos, com as letras sumidas.
_ Joana, não estás boa da cabeça, eu é que caí, e tu é que ficas zaruca?
_ Oh pá, já não se pode gabar um homem?"


excerto do dito livro....