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quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Recaída

Isto anda mau. Todo este tempo depois, já achando que a situação estaria em processo de cura quase total, acho que tive uma recaída... Sinto-me em baixo, tal como um cachorro abandonado. Sinto-me perdida, e acabo por recordar tudo o que vivi intensamente em três meses apenas. Talvez seja da aproximação daquela época que odeio, agora ainda mais... Odeio o Natal, para mim podia não existir. E a Passagem de Ano? Ainda gosto menos. Este novo ano começou exactamente com uma ausência... Daí para cá, tentei superar, andei de rastos, mas um dia voltei a sorrir, e esse sorriso esteve comigo por algum tempo. Pensei que também estaria a fazer sorrir, mas enganei-me... o meu sorriso voltou a desvanecer-se naquela manhã de Maio. Depois dessa manhã, tudo se desmoronou, e deixei de entender o que quer que fosse. Um impulso de raiva tomou conta de mim, e passei a entender ainda menos... Tentei assentar as ideias, fui conseguindo resolver algumas coisas dentro de mim e percebi que já não voltaria a ter o tal sorriso para mim. Cruamente, entendi que esta história nunca tinha realmente acontecido, a não ser, para mim. Entendi, que o que julgava ser uma história por escrever, não tinha sequer um principio, tinha sido apenas uma ilusão, que durou pouco tempo. De quem foi a culpa, nunca irei saber, tudo ficou ainda mais confuso. Tento não pensar, é impossível, não sentir, muito menos... há pequenos nadas que trazem á memória momentos, sentimentos, barulhos, gestos... tenho uma recaída... torno a sentir saudades, a falta de um sorriso, daquele olhar, do toque suave das mãos, do beijo ardente e profundo, da cama sempre acabada de fazer, das noites frias envolvidas nuns braços protectores... Que merda, porquê? Nunca irei entender, é a única certeza que tenho.
Quem sabe um dia volte a amar, quando o tempo conseguir apagar o que o coração teima em recordar...

sábado, 29 de setembro de 2007

Um dia...

Há dias assim, nem são bons , nem são maus. Hoje foi um desses dias, acordaram-me cedo, por volta das 6.10h, visto que o meu despertador fez gazeta e não tocou ás 5.30h, daí que o meu pai, teve de bater na porta para me lembrar que eu prometi ir trabalhar a um sábado para a vindima. Enfim, eu lembro-me de cada coisa, mas que posso fazer, terça feira estarei no desemprego, e tenho de fazer uns sacrifícios, para uns extras. E já prometi que a partir de terça, vou para a vindima, até acabar, pelo menos é livre de impostos, dá é cabo do coiro, lol. Digamos que ficamos com o "canastro" um pouco torcido, mas depois passa, afinal são só 6h por dia, e mesmo os miseráveis 30€, livres dos tais impostos, dão imenso jeito para quem vai estar sem trabalho até, sabe-se lá, quando. O trabalho é duro, mas o pessoal, que por lá anda é porreiro, tudo bem acima dos 40 anos, mas somos todos da mesma idade, afinal tratam-me como igual (casa dos 30, eh,eh), e dizemos umas bacoradas engraçadas. Como ia contando, apesar de ter ido trabalhar, o restante do dia foi bastante normal, o que não invalidou que o meu pensamento trabalhasse a cento e cem, como é hábito. Vou para o desemprego, mas, não vou ficar de braços caídos á espera da miséria do desemprego, não. Vou fazer tudo para ter um trabalho, não gosto de estar sem ter uma ocupação, e tenho os meus objectivos traçados, que apenas espero adiar, por pouco tempo. E surgiu um novo objectivo, mais difícil de alcançar que os outros, afinal, um dia quase todas as pessoas desejam ter filhos. No meu caso, há muito que é um grande desejo, mas, nem sempre a vida nos proporciona as condições ideais, para o tão desejado rebento surgir. Gostava que quando acontecesse fosse um(a) filho(a), fruto de um amor sincero e profundo, mas, a vida apenas me concedeu um amor assim por pouco tempo, e mesmo amor, só da minha parte. Como enganar alguém para conseguir ter um filho, para mim, nem se coloca em questão, resta-me criar condições para um dia me candidatar a fazer parte das listas de espera para uma adopção. Sim, pretendo adoptar uma criança. O facto de ser sozinha, só complica a coisa no aspecto económico, pois terei de ter uma situação bem estruturada, pois, terei de ser só eu a conseguir que tudo se conjugue para que possa conseguir o meu objectivo. Amor para dar, nunca irá faltar de certeza, o facto de uma criança não ser nosso filho biológico, não nos faz amar menos, se calhar antes pelo contrário. O vazio, que sinto, por não poder partilhar o amor que passei a sentir pela filha do meu ex, mesmo sem nunca a ter conhecido pessoalmente. Sim, nunca a conheci, a relação durou muito pouco tempo, mas deu para amar aquela criança, que apenas via nas fotos, e perceber que sou capaz de amar incondicionalmente, até mesmo depois de não estar mais com o meu ex. Lamento, não poder ter notícias, não poder ver e falar com a criança, e não poder transmitir-lhe o meu amor por ela, independentemente de eu não estar mais com o pai. Torna-se difícil, quando andamos a passear e vemos alguma coisa, roupa por exemplo, que imediatamente nos faz pensar que havia de ficar bem naquela pessoa, e nada podermos fazer. Não lhe falta amor, antes pelo contrário, pelo menos da parte do pai, pois ele nasceu para ser pai daquela criança, disso, não há menor dúvida. Enfim, nada posso fazer, foi uma relação quase secreta, portanto, só tenho de guardar este amor, com todo o carinho.
Mas que um dia irei conseguir, ter o meu filho, ou filha, para amar com toda a força do meu ser, isso vou.